Criminalidade: A Delinquência Juvenil no Estado de Roraima (2018-2021)
Synopsis
O presente livro aborda o fenômeno da delinquência juvenil e da criminalidade urbana no Estado de Roraima, com recorte espacial na capital Boa Vista, contextualizando-o diante do acelerado crescimento demográfico, das transformações socioespaciais e da intensificação da violência letal associada à dinâmica de fronteira e ao crime organizado.
O estudo tem como objetivo geral analisar a construção social, a trajetória histórica e os determinantes da delinquência juvenil em Boa Vista, investigando as representações simbólicas e a evolução dos atos infracionais, bem como avaliar as políticas públicas de segurança e o planejamento governamental direcionados à contenção da violência que vitimiza e coopta adolescentes e jovens.
Metodologicamente, a investigação fundamenta-se em uma abordagem qualitativa descritiva, ancorada em levantamento bibliográfico e análise documental de legislações, relatórios e censos demográficos do IBGE, além da análise estatística de registros criminais da SESP/RR, SINESP, Atlas da Violência e dados de internação do Centro de Socioeducação (CENSE), complementada por revisão integrativa de estudos etnográficos locais.
Os principais resultados e discussões revelam a transição histórica dos grupos juvenis locais — desde as antigas "galeras" de bairro dos anos 1990 até a atual subordinação como braço operacional de facções criminosas nacionais e transnacionais —, impulsionada por fatores como vulnerabilidade social, violência doméstica e busca por pertencimento e consumo. Os dados evidenciam que Roraima registrou picos críticos de letalidade em 2018, vitimizando predominantemente homens jovens e negros em disputas territoriais do narcotráfico; contudo, embora intervenções operacionais e reaparelhamentos via Fundo Estadual de Segurança Pública (FESP/RR) tenham promovido retrações estatísticas posteriores nos homicídios e atos infracionais patrimoniais, persiste a carência de projetos preventivos estaduais duradouros voltados à juventude.
Conclui-se que o enfrentamento qualificado da delinquência juvenil exige superar respostas exclusivamente punitivas ou de policiamento ostensivo, impondo a formulação de políticas públicas intersetoriais e de longo prazo que articulem segurança, educação integral, capacitação profissional e espaços de convivência comunitária, assegurando a efetiva proteção e inclusão cidadã dessa população.
